domingo, 28 de abril de 2013

A verdade não rima

Pôr-do-sol no Convento da Penha, em Vila Velha (ES)
Faz uns meses que estou com alguns temas em mente para escrever, mas nunca consigo. É sempre falta de tempo, vontade, estímulo... enfim, aquela coleção de desculpas prontas que temos o hábito de cultivar para circunstâncias diversas.

Percebi que não escrevo aqui desde dezembro do ano passado. Dei uma olhada nos meus rascunhos do blog e encontrei textos inacabados, ideias soltas esperando por algum fio de meada, coisas que pensei em postar, mas desisti, por razão desconhecida. Resolvi, então, colocar minha vida em dia e não adiar mais nada. A começar por aqui.

Os últimos quatro meses de hiato equivaleram a alguns anos da minha vida. O volume de acontecimentos esteve mais para avalanche que qualquer outra coisa. Especialmente, nas últimas duas semanas.

Há nove dias perdi precocemente um grande amigo, muito, muito querido, em um acidente de carro. No dia, eu estava em Vitória (ES), aproveitando um final de semana planejadíssimo e cheio de alegria, ao lado de outra amiga querida. Ele, na estrada, a caminho de Natal (RN), igualmente feliz por ter conseguido ir ao Abril Pro Rock. Primeiro baque.

Eu custei a acreditar que Juarezinho, um cara super do bem, com apenas 26 anos, tinha caído na besteira de dormir no volante e entregar a própria vida de bandeja. Senti por ele, pela irmã dele (uma das minhas melhores amigas) e pelo resto da família, por quem tenho um carinho enorme, recíproco e antigo.

Estava em Vitória, mas meu coração ficou no Recife. Me senti péssima por estar viajando justamente naquele momento. Mas, ao mesmo tempo, aproveitei a ocasião para repassar toda a minha vida e as pequenas grandes coisas que nela aconteceram, na tentativa de buscar alguma compreensão e força para seguir adiante.

Já perdi algumas pessoas próximas, muito amadas, mas em circunstâncias bem diferentes. Morrer alguém assim tão jovem, na minha idade, do nada, é como puxar nossos pés forçadamente para o chão. E puxaram.

Três dias depois, o segundo baque. Meu tio caçula, 34 anos, teve a vida brutalmente tirada por dois bandidos, em casa, na frente da própria genitora. Um crime bárbaro, gratuito. Vi meu pai chorar inconsolavelmente por mais uma morte em seu extenso inventário familiar, inaugurado pela mãe, aos 10 anos de idade. "Não aguento mais perder as pessoas", me dizia ele, entre lágrimas.

Em meio à dor de ver duas mães enterrando filhos e famílias inteiras devastadas, percebi que a única forma de aplacarmos a ausência deles é vivendo. É ignorando a pequenez dos outros, as migalhas, o cri-cri nosso de cada dia. É fazendo agora aquela viagem tão adiada, é embarcando numa aventura maluca, é nos entregando ao mundo e nos deixando abraçar por ele.

É nos fortalecendo na boa conduta, nos amigos verdadeiros, no amor da família, na fé (seja ela qual for, em que for). É falando "eu te amo" a quem merece - e eventualmente a quem não merece também -, é despejando as mágoas e fazendo uma faxina no coração. É aquele telefonema que ficou para depois.

É privilegiando a leveza da vida.

Há uma cena emblemática do filme "As Horas", em que o marido pergunta à esposa mentalmente fragilizada, a escritora inglesa Virginia Woolf, para que exatamente alguém tem que morrer. Ela, muito lúcida, responde: "alguém morre para os outros valorizarem mais a vida".

Acho que é isso.

Temos que escorregar no clichê de viver como se não houvesse amanhã. Porque algumas vezes ele, o amanhã, não chega mesmo.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

#vaitimboramulher


Quem me acompanha pelas redes sociais (Twitter, Instagram ou Facebook), testemunhou toda a minha expectativa em torno da passagem de Madonna pelo Brasil, agora em dezembro. Passei meses fazendo campanha, criando hashtag, evitando spoilers, enchendo a paciência das pessoas e contando cada minuto para o grande dia. Pois bem, ele chegou.

Voltei de viagem oficialmente na madrugada de sexta-feira (6). Obviamente, por onde passo, todo mundo me pergunta como foram os shows, como é que Madonna está, se valeu a pena a empreitada... blablabla. Decidi, então, que era melhor escrever um texto sobre as minhas impressões e tentar fazer com que as pessoas entendam por que o #vemtimboramulher se transformou em #vaitimboramulher.

Rio de Janeiro

O primeiro show aconteceu no Rio de Janeiro, para 67 mil pessoas, no Parque dos Atletas. Cheguei às 11h da manhã, passei 14 horas em pé, com fome e sede, fritando num sol de 40ºC, mas ao lado do meu companheiro de grade Filipe Falcão e de gente muito querida que encontrei na fila. Meu ingresso era para a pista premium. Os portões abriram por volta das 17h20, de modo que consegui ver o ensaio quase todo. Chorei compulsivamente o tempo inteiro. Só parei quando ela saiu do palco.

Logo no ensaio, percebi que o humor de Madonna não estava lá essas coisas. Pensei que poderia ser o calor - ela estava ofegante e chegou a ser abanada por alguns bailarinos -, o cansaço de fim de turnê, enfim. Mesmo assim, ela interagiu com o público, nos chamou de "bundas sujas" e repetiu diversas vezes que era "periguete". 

Por volta das 23h15, ela entrou no palco ao som de "Girl Gone Wild". Lá da grade, mais choro de minha parte. Madonna não estava bem. Tecnicamente impecável, o show levado ao Rio foi completo, com direito a "Like a Virgin/Love Spent", contrariando a tendência adotada na etapa latina da turnê. Só que Madonna estava triste, cansada, visivelmente exaurida. 

"Like a Virgin/Love Spent" no show do Rio de Janeiro
Nem a infalível energia carioca foi capaz de levantar o astral dela. Percebi várias vezes que ela tentava melhorar, entrar no clima, sem muito sucesso. Quem só queria ver a rainha do pop e curtir um bom show, saiu satisfeito. Mas eu e minha trupe de amigos madônnicos sabemos muito bem o que ela costuma nos dar. E aquilo não chegou nem perto do normal.

Os momentos de interação com a plateia foram breves, meio desconexos e ainda mais reveladores do cansaço de Madonna. Ela confundiu Rio com São Paulo, falou espanhol pensando que era português, errou letra, emburreceu... Um amigo observou que, na verdade, talvez ela realmente estivesse querendo raiva ao invés de confete. Pode ser.

O show terminou com "Celebration". Só que ninguém conseguiu celebrar nada, ao final do show. O público saiu perturbado, confuso... Diferentemente da "Sticky & Sweet Tour", a "MDNA" foi pesada, soturna, difícil de se digerir. Chorei por mais meia-hora nos braços do meu amigo Schneider Carpeggiani, depois que saímos do Parque dos Atletas. Tinha alguma coisa muito errada.

São Paulo 1

Voltei para o hotel, depois do show no Rio, e fui tentar dormir. Mas não consegui. Passei super mal, continuei o resto do dia angustiada, sem saber como reunir forças e ir para São Paulo encarar Madonna de novo. Comecei a repensar a loucura de ter comprado ingressos para os outros dois shows.

Terça-feira (4), por volta das 19h, cheguei ao Morumbi - que lotou - e me acomodei no setor das cadeiras. Achei mais saudável, pois ainda estava cansada e temerosa quanto ao reencontro com a MDNA. Não tive notícia sobre o ensaio, nem sobre o humor dela. Fui à paisana, como uma espectadora qualquer.

Mais uma vez, Madonna surgiu com o semblante exausto no palco. Parecia ter acionado o piloto automático sem a menor cerimônia. O show continuou tecnicamente perfeito até o corte imperdoável de "Like a Virgin". O público esmaeceu por completo. Como ela pôde enxugar justamente o clímax da apresentação? Pergunta sem resposta até hoje.

A reação, na saída do show, foi ainda pior que a do Rio. Nada de euforia, apenas uma leva de gente andando meio calada, cabisbaixa, pensativa... Comentário mesmo só sobre o corpo. "Ela tá super gostosa, né? Queria aquelas pernas".

São Paulo 2

Segundo e último dia. Quarta-feira, 5 de dezembro. Cheguei às 12h, com certa tranquilidade, já que meu ingresso era VIP package - ele me dava o direito de entrar antes de todo mundo e ganhar alguns brindes. A temperatura estava muito mais amena que a do Rio, embora o calor persistisse. Dessa vez, consegui pegar o ensaio do início, o que até hoje não sei se foi uma coisa boa ou ruim para mim.

Logo que entrou para ensaiar, Madonna reuniu bailarinos e equipe técnica e, visivelmente irritada, pareceu distribuir "bailes" para cada um. Logo depois, pegou o microfone e avisou: "estou de péssimo humor hoje". Um balde de água fria para os fãs tão calorosos. Não é fácil lidar com a pessoa de carne e osso que leva a nossa diversão como trabalho.

Ensaio na quarta (5), em São Paulo
Ela repassou algumas músicas e coreografias, errou umas coisas, chamou atenção de mais algumas pessoas e assim permaneceu por quase 1h, sem sequer olhar para o público. No final, um rapaz que chorava mais compulsivamente do que eu, no Golden Triangle, acabou comovendo-a. "Você está chorando as lágrimas que eu gostaria de chorar", diz. Nem preciso dizer o que aconteceu comigo, né?

Depois de falar com o fã, Madonna saiu do palco com a guitarra, sem despedir. O ensaio, ao que tudo indicava, tinha acabado. Minutos depois, ela volta com uma caixa de lenços de papel e entrega nas mãos do tal moço. "Pare de chorar", pede ela, que continua a repassar as músicas.

Já no ensaio eu percebi a dificuldade dela em fazer as coreografias. Era tudo feito com má vontade e um tédio sem fim, exigindo-a um esforço sobre-humano. Sinceramente, não consegui enxergar o prazer que testemunhei em 2008, na Sticky. Madonna me fez entender o que ninguém mais faria: ela tem prazo de validade.

O show foi primoroso. Mesmo com o enorme atraso, agora em decorrência da chuva, ela entrou mais animada. A ameaça de se apresentar sob o temporal tirou um pouco de sua apatia. De repente, o "fuck the rain" salvou a noite das 50 mil pessoas que tinham ido ao Morumbi naquela quarta. "Vocês merecem uma recompensa por terem me esperado tanto tempo, por causa da chuva. Que tal um 'Holiday'?", arrisca, num gesto repentino de simpatia, entoando um de seus hinos. 

O show continuou sem grandes alterações, inclusive no corte de "Like a Virgin", que permaneceu fora do setlist. Mas cada vez que ela chegava perto de mim, era transparente o desalento de estar ali, o que só me deixava ainda mais deprimida.

#vaitimboramulher

Madonna está cansada. Nem o ótimo corpo, a obsessão pela técnica perfeita e a glória de fazer a turnê mais lucrativa dos últimos tempos impediram a expiração de sua validade. São três décadas de estrada, 54 anos de idade, quatro filhos, separações, amores, desamores, rumores... Tudo dói, como diria Gal na letra de Caetano. Viver é um desastre que sucede a alguns, e desacelerar também. Talvez tenha chegado a hora de a rainha pisar no freio. Parar seria demais, ela não aceitaria. Nem nós. Mas fazer uma turnê do tamanho da "MDNA", acho que não acontecerá de novo. 

No fundo do meu coração, eu sabia que eram de despedida todas as lágrimas que derramei nos shows. Posso estar errada, mas se for para vê-la com aqueles olhos verdes de tristeza em cima de um palco, prefiro que ela seja feliz longe dele, e consequentemente de mim. Amar é isso. E minha maior prova de amor é me despir do egoísmo de fã. É o mínimo que posso fazer por quem já fez tanto por mim. Espero mesmo que Madonna encontre o caminho de luz e felicidade para a vida dela, seja ele qual for.

Fazendo um balanço dessa viagem madônnica, posso dizer que o melhor foi ter compartilhado a alegria sublime de ver a MDNA Tour com os amigos queridos, os novos e os velhos, que Madonna me deu. Foi ter passado horas em pé, sem comer ou tomar água, levando sol, chorando ou dançando, e ter a consciência de que faria tudo novamente. E, sim, ter conseguido me despedir, de coração aberto, daquela que por tantos anos me salvou dos meus demônios.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dos ensinamentos de 2012



Falta exatamente um mês para acontecer o alinhamento dos astros, a sinergia cósmica, a grande catarse, o sonho virar realidade – ou a realidade virar sonho? –, para o dia mais importante do ano. É o meu reencontro com ela, a pessoa que já foi todo mundo e que hoje é o mundo para muita gente como eu. Claro que você sabe de quem estou falando, né? Sim, ela mesma. Madonna.

Passei o ano reclamando do ano, mas só para não perder o costume de ser rabugenta. A verdade é que, de agora, já me atrevo a garantir que nenhuma mazela de 2012 chega perto do que viverei na primeira semana de seu último mês. Vai ser amor, sonho, êxtase e qualquer coisa que se assemelhe ao sublime. Tenho certeza absoluta.

Foram 365 dias de superação (ai que preguiça dessa palavra!), de provações de toda sorte e de aventuras. Sou da opinião de que a gente só aprende com os erros, as músicas, os livros e os filmes. Eu não teria conseguido chegar até aqui tão bem se não tivesse mergulhado no “Recanto Escuro”, de Gal, no “MDNA”, Dela, ou no “Banga”, de Patti Smith. Poderia ter seguido em frente sem redescobrir a discografia de Marina Lima, mas não seria a mesma coisa.

Baby do Brasil de volta aos velhos tempos e ao meu iPod. Poderia haver ano melhor? Na tensão do pânico, da ansiedade, do avião, da viagem, ela me vem dançando feito menina, com “Cósmica”, “Telúrica”, “Canceriana”, trazendo calma e luz para os meus chacras. Foda-se Chico Buarque. Estamos de mal. Em 2013, talvez, a gente faça as pazes.

Maldizer um ano que deixou o estádio do Arruda antologicamente lotado para reverenciar Paul McCartney é blasfêmia. Foi incrível ter compartilhado lágrimas com milhares de pessoas que, assim como eu, reviram o filme de suas vidas sob os acordes de “Live and Let Die”, “All My Loving”, “And I Love Her”... E o que dizer da tempestade que banhou a apresentação deliciosa de Jennifer Lopez, no Cecon? A euforia foi tanta que me imunizou contra a gripe que assolou todo mundo depois do show.

Obrigada, Roxette, por ter adocicado meus ouvidos com tantos hits memoráveis. David Guetta, eu poderia ter passado tranquilamente sem você. Pensei o mesmo em relação a Cláudio Assis, mas, graças a Deus, ele virou a minha cabeça. Não dava para não pirar com “Febre do Rato”, no Cine São Luiz. Sean Penn, meu caro, que loucura você e o tal do “Aqui é o Meu Lugar”. Já Glenn Close me fez resgatar “Atração Fatal”, “Ligações Perigosas” e a série “Damages”, mais genial do que nunca. Fiz um supletivo na Escola Glenn Close de Dramas Afetivos. Sou outra Mariana.

Meryl linda, divina e maravilhosa em todo lugar onde deu o ar da graça em 2012, a começar pela entrega da tão merecida (e aguardadíssima) da estatueta dourada. Divinos também são Caio Fernando Abreu, Mario Vargas Llosa, Virgina Woolf, Carlos Drummond, Mário Quintana, Nelson Rodrigues... blábláblá, né? Mas são todos lindos. E mesmo com a crônica antipática sobre o centro carioca, eu quero terminar este ano perdoando Danuza, em nome de tudo que ela me ensinou em outras dezenas de textos muito mais oportunos.

Acho que meu balanço cultural antecipado do ano que não acabou está pronto. O que ainda não está é a mala que preciso arrumar para ir a São Paulo conferir a caixa de surpresa (ou de Pandora?) chamada Lady Gaga. Vou como observadora e, mais do que tudo, grande entusiasta do excelente trabalho que ela já fez. Parece auspicioso ver tudo isso dias antes de encontrar a Queen de todas elas, cantoras pop, e minha bússola de sempre: Madonna.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Let's talk about love


Tem duas pessoas nesta vida que nunca deixo de ouvir: Madonna e minha terapeuta. Juntas, elas seguem regulando os parafusos que me vão afrouxando no meio do caminho. Mas quem iniciou os trabalhos, há mais de dez anos, foi a cantora. Ela já sabia, desde o início, como preencher as lacunas que eu desconhecia ter na minha vida.

Dizem que cada fã idolatra uma Madonna diferente. Eu acredito. A minha se distingue de todas, muito embora eu compartilhe de vários sentimentos e adoração com outros amigos admiradores dela. Só que é diferente. A minha Madonna fala no meu ouvido, pesa na minha consciência, dá socos no meu estômago, enche meus olhos e coração de alegria, me faz chorar... A minha Madonna é um caldeirão de emoções. É diferente.

A cada dia 16 de agosto sinto a obrigação de agradecer publicamente - pela enésima vez no ano - tudo o que ela fez por mim. Pelos amigos maravilhosos que me deu, pela profissão que sigo, pelo conhecimento que ganhei, pela oportunidade de vivenciar experiências incríveis, por aquela noite em que ouvi "Music" for the very first time naquela rádio que nunca tinha sintonizado na vida.

Minha gratidão também se estende, sobretudo, a todas aquelas vezes em que ouvi o conselho certo, no disco errado, na hora em que mais precisei. A todas as vezes que a música dela falou por mim. A todos os momentos da minha vida que foram meticulosamente decifrados, criptografados ou eternizados em seus versos. A ser uma bitch quando necessário. Ao orgulho que eu tenho de dizer que sou súdita da maior artista, terapeuta, mãe, irmã, amiga e rainha de todos os tempos.

Obrigada, Madonna, por ter me mantido afastada dos livros de autoajuda, dos emocores, das sandys e dos juniors e de ser the second best. Obrigada por ter me educado e ensinado o verdadeiro valor da pista de dança,  por continuar me dando amor quando eu te julguei, por ter atravessado o Mar Vermelho da adolescência comigo, e a tsunami da maturidade também.

Ninguém jamais vai entender. Para mim, pouco importa. But if you could stand in my shoes, then you'd feel my heartbeat too.

Obrigada por tudo. Te amo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Feitiços literários


Há muitos anos, quando Harry Potter era apenas um best-seller fora do Brasil e pouquíssimos adolescentes conheciam a saga, eu costumava tirar férias da minha rotina para me transportar para Hogwarts. Exatamente. Ao invés de prestar atenção nas aulas de Matemática (meu eterno karma escolar) ou História (minha matéria favorita), eu me recolhia, lá no fundo da sala, e mergulhava no fantástico mundo de J.K. Rowling.

A diferença é que, ao contrário do que pensavam meus colegas de turma, eu não ficava #foreveralone no fundão. Aliás, eu estava era muito bem acompanhada por Harry, Hermione e Rony. Gente muito mais agradável do que meus graciosos amiguinhos do colégio, que jamais compreenderam minha devoção a Madonna, aos 11 anos de idade, e muito menos a voracidade das minhas leituras.

Para ser sincera, a minha "sede" de Harry Potter era meio louca mesmo. Além de ignorar as aulas, eu abdicava das refeições e até do sono. A única coisa que conseguia roubar minha atenção era o treino da equipe de basquete, outra grande paixão da minha vida. O resto era resto, podia ficar para depois.

E a coisa ia ficando pior a cada livro, pois à medida que uma nova história era lançada, o número de páginas praticamente crescia em progressão aritmética. Isso, claro, me deixava ainda mais eufórica, pois significava mais tempo "viajando" em Hogwarts e menos tempo vivendo o mundo real. Era delicioso esquecer dos "trouxas" e viver exclusivamente para os bruxos ingleses.

(In)felizmente, em 2004, li "A Ordem da Fênix" e encerrei o ciclo de leitura delicioso da minha adolescência. A essa altura, HP já tinha se tornado mais do que uma febre, era uma verdadeira obsessão, entre crianças e teens do mundo inteiro, sobretudo, por causa dos filmes. Acho que isso foi me fazendo perder o interesse... ficou tudo muito doentio. E o pior é que a maioria dos HP maníacos jamais leram os livros. O que foi suficiente para eu cansar e me desligar completamente de Hogwarts.

Não sei por que cargas d'água eu resolvi relembrar meus tempos de HP aqui. Mas já que falei, vou aproveitar para ressaltar o profundo prazer que a leitura pode nos dar, principalmente, quando estamos nessa fase de construção das nossas bases. Que delícia lembrar dos efeitos que os livros me causam... da minha entrega a cada um, das risadas e lágrimas que eles já me roubaram, dos ensinamentos e reflexões (e feitiços, claro) que extraí de páginas e mais páginas.

Quando li "A Ordem...", minha sede literária já me levava por novos caminhos, sob a égide de outros "feiticeiros": Clarice Lispector, Machado de Assis, Mário Quintana, Jorge Amado. Troquei varinhas por águas vivas, castelos pelas ruas do Cosme Velho, feitiços por poemas, bruxos por capitães das areias. A única coisa que não mudou foi o deslumbramento pelas palavras.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


Pra Ser Sincero 
(Marisa Monte)

Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo que eu quis
Confesso a minha dor...

E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal...

E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...

E o que passou, calou
E o que virá, que dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...

O tempo vai passar
E tudo vai entrar
No jeito certo
De nós dois...

As coisas são assim
E se será, que será
Pra ser sincero
Meu remédio é
Te amar, te amar...

Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Long live the queen

Obrigada por tudo, Madonna. Parabéns e vida longa à rainha de todas as rainhas!


"I'm Madonna. Often imitated, but NEVER duplicated."