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No mês passado, o Festival Recifense de Literatura me deu a chance de entrevistar uma das escritoras mais badaladas do país. Ela é autora do best seller Divã, cuja adaptação cinematográfica figura entre as maiores bilheterias de 2009. Com vocês, Martha Medeiros. Gaúcha, publicitária e uma observadora das relações humanas. Esses são alguns dos predicados que se podem atribuir à escritora Martha Medeiros. Há 25 anos, ela reúne o talento para a literatura e as experiências do dia-a-dia para conquistar leitores no Brasil inteiro. Segundo ela, o fato de tratar de acontecimentos cotidianos, comuns a qualquer pessoa, já é ingrediente suficiente para despertar a curiosidade do público. Crônicas Ao longo dos anos, Martha também se consagrou pelas crônicas publicadas no jornal gaúcho Zero Hora – e logo depois em O Globo. “Eu havia recebido um convite para publicar apenas um texto, que seria filho único”, relembra, “mas as pessoas gostaram, pediram outro e assim começou minha carreira de cronista”. Fiéis, os leitores acompanham as reflexões de Martha e participam ativamente enviando comentários, para a alegria da autora. “Adoro ler o que eles me mandam, não é à toa que meu e-mail é divulgado na coluna”, diz. Os 15 anos de crônicas renderam sete livros e uma legião de leitores vorazes em todo o país. Internet A carreira de cronista levou Martha a se aproximar ainda mais do público, por meio da internet. A autora mantém um blog onde dá dicas de livros, filmes, shows, peças e ainda comenta sobre o que lhe chama atenção no mundo. “Para mim, é uma honra ter um espaço para escrever o que eu penso e quero que o leitor saiba que é uma via de mão dupla também, que ele pode opinar sempre”, diz. Segundo Martha, o blog é uma maneira de ter um pouco mais de aproximação com o público, mas, apesar disso, ela vê a necessidade de tomar alguns cuidados. “Fujo da intimidade excessiva, procuro preservar detalhes da minha vida pessoal”, confessa. Rotina Se para muitos autores a rotina da escrita demanda um ritual cheio de peculiaridades, para Martha Medeiros as coisas são bem diferentes, ou melhor, super normais. A gaúcha confessa que o momento da criação literária é tão corriqueiro quanto a linguagem de suas obras, que despontaram na lista de best-sellers no Brasil e já vislumbram os leitores estrangeiros. “Tenho o privilégio de trabalhar em casa fazendo o que amo. Até desaponto as pessoas que acham que tenho uma rotina específica porque não há nada de especial mesmo”, revela. Divã Em 2009, o romance Divã (Ed. Objetiva) foi adaptado para as telonas e levou o nome de Martha Medeiros para além dos pampas gaúchos. “Estou adorando a repercussão do filme, principalmente porque estou tendo a oportunidade de visitar lugares que eu nunca fui, como, por exemplo, o Recife”, diz. A autora atribui o sucesso do livro à velha propaganda do “boca a boca”. “O Divã foi lançado com pouquíssima divulgação, mas, surpreendentemente, ganhou o público carioca em pouco tempo e acho que muito disso se deve às indicações de leitura que as pessoas fizeram umas para as outras”, reflete. A história de Mercedes – protagonista do livro – também conquistou a atriz Lília Cabral, que levou a obra de Martha Medeiros para o teatro e, logo em seguida, para o cinema. O filme já foi visto por mais de 1,5 milhão de espectadores em todo o Brasil, segundo o portal Filme B. Perguntada se ficou satisfeita com a adaptação, Martha diz que sim, mas destaca que ficou com um pé atrás com o elenco masculino. “Imagina você casada com o José Mayer, tendo um caso com Reynaldo Gianecchini e com Cauã Reymond. Que mulher teria problemas estando com eles?”, diverte-se. Por Mariana Lins by SlowMMotion * Postar um comentário 5:17 PM ______________________________
![]() 40 ANOS DE WOODSTOCK Imagine como seria um mega evento de música, na década de 1960, com mais de 500 mil participantes, em uma época de repressão, contracultura, guerra e na qual as ideologias eram difundidas por meio da arte. Foi nesse contexto que aconteceu o maior festival de música da história: Woodstock, há exatos 40 anos. Os jovens hippies norte-americanos tomaram a cidade de Bethel, no interior de Nova York (EUA), entre os dias 15 e 17 de agosto, para pedir o fim dos confrontos sangrentos ao redor do mundo – sobretudo os da Guerra do Vietnã – e pregar a paz entre os povos através da música. Naquele momento, a população dos Estados Unidos começava a se dar conta da carnificina promovida pelas tropas ianques em solo vietnamita. Aquela era a primeira guerra totalmente televisionada da história, cujas cenas de horror tornaram-se o aperitivo rentável e chocante dos telejornais diários do país. Ao contrário de hoje, as notícias, na época de Woodstock, demoravam a circular o planeta. Não havia internet para difundir e reunir a opinião pública num único clique, de modo que o direcionamento e a repercussão do festival têm estreita relação com o apelo da TV em retratar a Guerra do Vietnã. Depois de assistirem às incessantes imagens veiculadas nas emissoras televisivas, os jovens começaram a cobrar o fim dos conflitos e o retorno das tropas norte-americanas. “Faça amor, não faça guerra” foi a bandeira levantada pelos hippies que pregavam o fim da caretice, o amor livre, a tolerância de credo, gênero e raça. Artistas como Janis Joplin, Santana, Jimi Hendrix, The Who, Grateful Dead e Joe Cocker emprestaram suas vozes e acordes para levar a mensagem de toda uma geração aos mais longínquos ouvidos ao redor do planeta, nas décadas seguintes. Números de Woodstock: • 500 mil espectadores; • 27 km de congestionamento para chegar no local dos shows; • U$ 1 era o preço de um dormitório; • 400 pessoas foram socorridas por abuso de LSD; • 2 pessoas morreram (uma por overdose e outra por atropelamento); • 4 abortos; • 2 partos; • 0 era o número de contentores de lixo e de higiene no local. Por Mariana Lins by SlowMMotion * Postar um comentário 11:15 PM ______________________________
![]() CARTA A MICHAEL JACKSON Hoje a turma lá de cima levou o homem do moonwalk para fazer um show eterno nas nuvens, talvez bem próximo da Lua. Mas, tudo bem, Michael. Pode ir tranqüilo e sossegado. Afinal, você já deu a contribuição suficiente, aqui na Terra, para deixar seu nome tatuado em nossa memória, nos discos, histórias e mitos que serão repassados às gerações futuras. Michael Jackson é um mito e, como tal, deve permanecer num patamar superior, reverenciado por todos que, de alguma forma, foram contagiados pelos mortos-vivos de Thriller ou pelo charme do encantador Smooth Criminal. Munidos de sua voz, querido Michael, pedimos o fim do desmatamento, das guerras, da violência e, sobretudo, do desamor. Numa época em que poucos se importavam com o famoso aquecimento global e com as emissões de CO2, nós clamávamos, em uníssono, com a Earth Song pela proteção da natureza. Imploramos para o mundo cuidar do mundo em Heal the World, denunciamos com você o descaso das autoridades em They Don’t Care About Us, prestamos nossa solidariedade à indefesa Susan em Blood is on the Dancefloor. Você foi um danado, Jacko. Imagina o que é fazer pessoas de todas as idades cantarem palavra por palavra de Beat it com cara de mau, por quase 30 anos! Ah, Michael... e aquele show de basquete que seu xará gigantesco Jordan deu em você pequenino no clipe de Jam? Memorável mesmo. Mas sabe o que é antológico pra mim? Sua performance de Bad mostrando que eles acham que o céu é o limite. Será, meu querido? Uma coisa é certa: após conquistar a Terra inteira, o lance agora é ganhar o céu, o ar, o fogo e todos os elementos que estejam ao seu alcance. Limites? Ah, eles não existem, Jacko. Quem ousaria impô-los ao Rei? Quem é King of Pop nunca perde a majestade, meu caro. Seu trono não comporta ninguém, além de você. E é um trono transcendental, viu? Vale para o plano terreno e para todos os outros também. Se algum dia você se olhar no espelho divino e achar que está vendo um Man in the Mirror sem súditos, pode mandar ver naquele moonwalk, que logo você perceberá que You are not Alone. E não pare... Não pare até estar totalmente satisfeito e rodeado daqueles que não cansam de te prestigiar. The Way You Make Me Feel? Ah, essa é fácil responder. You Rock My World, cara! Black or White ou vermelho ou verde, você é Invincible, Unbreakable. O reino de Neverland talvez nunca tenha te compreendido bem, mas eu não tenho a menor dúvida de que a fada Sininho esteja ao seu lado agora e que o Peter Pan esteja te recrutando para se juntar a ele no mundo dos que nunca crescem e NUNCA morrem. Love, Mariana Lins by SlowMMotion * Postar um comentário 11:24 PM ______________________________
Para obter minha nota na cadeira de Técnicas de Reportagem, fui incumbida de ir atrás de um personagem interessante e, claro, com "relevância jornalística", segundo as palavras do meu professor. Após pensar muito, recorri a ninguém menos que Rosana Hermann, que gentilmente respondeu todas as minhas perguntas 'foqueiras' e ainda me ajudou a tirar um notão na matéria, no dia do meu aniversário. Confiram agora o ping pong que eu fiz com a diva da Web. Bacharel em Física, mestre em Física Nuclear, jornalista, apresentadora, escritora, blogueira. Ufa! Definir Rosana Hermann, 51, é quase impossível, visto o grande número de habilidades colecionadas por ela, que impulsionada pela lei da comunicação em massa, largou a carreira de cientista para se aventurar no jornalismo. A cinemática do meio televisivo levou Hermann a trabalhar nas principais emissoras do País, como roteirista e criadora de atrações campeãs de audiência. Atualmente, ela acumula as funções de ombudsman do programa A Noite é Uma Criança, na Band, e de diretora de criação da mesma emissora. A verve humorística foi determinante para garantir o sucesso dos textos de Rosana na TV e no universo paralelo da internet. Viciada nas tendências da rede, ela mantém o blog Querido Leitor, desde 2000, cujo número de acessos já beira os 10 milhões. Recentemente, o site venceu um concurso promovido pela TV alemã Deutsche Welle, na categoria melhor blog em língua portuguesa. No último dia 1º de junho, Rosana embarcou para a cidade de Bönn, na Alemanha, onde recebeu o prêmio. Você mantém um blog há quase 10 anos e é a prova viva de que o formato não é perecível, ao contrário das novidades virtuais que desaparecem com a mesma facilidade com a qual surgiram. A audiência do Querido Leitor é enorme e o público bastante fiel. A que você atribui todo esse sucesso? Quando o Querido Leitor foi criado, existiam poucos blogs. As opções eram poucas para o leitor. Além disso, nesse período, eu trabalhei na TV, no vídeo e isso chama sempre mais visitas. Hoje, acho que a comunidade do QL se deve mais por causa da longevidade do blog e das atualizações constantes. Você é adepta de inúmeros recursos virtuais, que permitem aproximá-la ainda mais dos seus leitores, seguidores, enfim. Eles acompanham seus passos, seus humores, suas reflexões. Isso já causou algum tipo de situação invasiva? Em alguns momentos já causou problemas. Mas isso passou. Há alguns anos, modero os comentários do blog para evitar qualquer coisa de errada. Com relação aos trabalhos na TV, pode-se afirmar que, de longe, seu forte, é a criação. Durante os quatro anos em que foi roteirista do Pânico na TV, você buscou o aporte da internet para compor o programa, que emplacou um formato de humor diferente na televisão brasileira. De que maneira o convívio com seus queridos leitores, virtualmente, contribuiu e continua a contribuir com o seu processo criativo e com sua verve humorística? Os leitores são mais que leitores, são colaboradores, são sócios do blog. Muita gente manda boas sugestões, comentários interessantes. Hoje, acho que fazemos o blog juntos. No meu caso particular, gosto de buscar novidades e de fazer pesquisas. Quanto ao lado cômico, sempre tive isso. Acho que é uma coisa da personalidade de cada um mesmo. Até quando eu fazia Física na USP (Universidade de São Paulo) eu era a autora dos sambas de humor. Você e o apresentador Marcelo Tas são dois grandes fenômenos do Twitter, no Brasil, com postagens freqüentes e milhares de seguidores. Como rede social, o Twitter tem agregado conteúdo informativo e muito lixo virtual também. Afinal de contas, qual é, na sua opinião, a grande função do microblog? O Twitter é lazer e diversão, antes de qualquer coisa. A informação também está presente, mas cada vez menos. As pessoas querem se relacionar, conversar, brincar. Hoje eu vejo o Twitter como uma grande brincadeira. Você seria capaz de enumerar três bons motivos para se ingressar numa rede social e outros três para jamais entrar em uma? Bons motivos para entrar são: expressão pessoal, ajuda mutua, compartilhamento de informação. Bons motivos para sair são: patrulhamento pessoal, fofocas e maledicências e infantilização. Já que falamos no Marcelo Tas, existe alguma chance de termos Rosana Hermann no time do CQC (programa da Band comandado por Tas)? Em dezembro de 2008, surgiram rumores sobre uma eventual parceria entre você e os rapazes. Muita gente pergunta sobre isso, mas nunca existiu um convite. O programa é um formato vencedor, que existe há muitos anos, em muitos países. E em time que está ganhando não se mexe! Para finalizar, assim como outros quase 15 mil followers, eu tenho acompanhado seu passos e sei que você está envolvida com alguns projetos. Você pode nos adiantar algo? Um novo programa? Novo livro? Eu estou envolvida no projeto de um livro, sim. Pode deixar que vou contar no Twitter! Por Mariana Lins by SlowMMotion * Postar um comentário 7:53 PM ______________________________
DA TV AO TEATRO, ENTRA EM CENA STELLA MARIS Tive a oportunidade de entrevistar minha ex-professora de Telejornalismo, Stella Maris Saldanha, para mais um 'perfil', a exemplo do que foi feito com Eugene Hütz, no último post. Stella é figura conhecida da cena teatral e televisiva de Pernambuco, acumula 12 peças no currículo e já passou pelas principais emissoras locais... É uma verdadeira celebridade do Recife. Atualmente, está em cartaz com Anjos de Fogo e Gelo, espetáculo que aborda o polêmico romance entre os poetas franceses Paul Verlaine e Arthur Rimbaud. Uma produção inteiramente pernambucana e de excelente qualidade. ![]() “Eu me sinto uma servidora do teatro, não consigo mais me afastar dele”, confessa Stella Maris Saldanha, que se divide entre os ofícios de jornalista, professora e atriz. “Eu me considero uma pessoa de muita sorte, pois eu só faço aquilo que gosto”, revela. A veia cênica de Stella Maris pulsou cedo. Na adolescência, ela foi uma das responsáveis pela criação do primeiro grupo teatral do colégio onde estudava. “Tudo começou como uma grande brincadeira, com pequenas produções, mas depois eu fui levando a sério e decidi me aperfeiçoar”, recorda. Aos 16 anos, a atriz ingressou no curso de teatro oferecido pelo grupo Hermilo Borba Filho, onde estudou e fez a estréia na primeira peça profissional, um ano depois, em Pluf, O Fantasminha, cujo texto tem a alcunha de Maria Clara Machado. ![]() Encerrada a temporada de Pluft, Stella encarou o desafio de interpretar a personagem principal de Os Fuzis da Senhora Carrar, escrita pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht. A montagem foi eleita a melhor pelo Serviço Nacional de Teatro e rendeu a Stella o prêmio de Atriz Revelação, em 1978. Nos anos seguintes, ela participou de espetáculos como Um Grito Parado no Ar (1979), de Gianfrancesco Guarnieri, Equus (1980), de Peter Shaffer e A Resistência (1980), da escritora Maria Adelaide Amaral. ![]() Após uma sucessão de peças consagradas, a jornalista Stella Maris Saldanha se sobrepôs à atriz e acabou por forçá-la a se afastar da carreira artística. “O jornalismo foi tomando conta da minha vida, do meu tempo, até que chegou ao ponto de não conseguir levar as duas coisas”, diz. Além do trabalho jornalístico no ramo televisivo, ela aponta outros fatores que contribuíram para o jejum de 20 anos. “Houve uma queda grande na qualidade do teatro pernambucano, era difícil encontrar bons textos e, para completar, Marcus Siqueira [famoso teatrólogo do grupo Hermilo Borba Filho, que dirigiu Stella em várias montagens] faleceu”, afirma. ![]() Foi na pele da aristocrática francesa Mathilde Mauté Fleurvill, no espetáculo Anjos de Fogo e Gelo (2008), de Moisés Neto, que Stella Maris retomou a carreira artística. “Mathilde era uma mulher inteligente, culta e muito determinada”, diz. A peça, cuja direção ficou a cargo de José Francisco Filho, trata do controverso romance entre os poetas franceses Arthur Rimbaud e Paul Verlaine, na França do século 19. A imponente senhora Mathilde é esposa de Verlaine e dona de uma personalidade forte. Após poucos anos de casada, toma para si a difícil tarefa de recuperar a vida conjugal ao lado do marido, que se descobre apaixonado por Rimbaud. Além de sofrer por ser traída, ela ainda enfrenta o constrangimento da situação perante a sociedade tradicional da época. ![]() Stella retorna às artes cênicas não apenas como atriz, mas também como pesquisadora. Desde o início de 2009, ela integra um projeto, ao lado dos jornalistas Alexandre Figueirôa e Cláudio Bezerra, determinado a estudar a produção dos três principais grupos teatrais do estado: Hermilo Borba Filho, Teatro Popular do Nordeste e Vivencial Diversiones. “Ele [o teatro] tem a função de deslocar, ou seja, de provocar, transgredir. Não adianta ir ao teatro e sair da mesma forma que entrou, ele precisa levar o espectador a algum tipo de questionamento e é isso que me fascina”, confessa. Segundo ela, está descartada a possibilidade de se afastar dos palcos outra vez. “O fato de não atuar tira o equilíbrio da minha vida, eu não consigo mais viver sem teatro, seja representando ou pesquisando”, conclui. ![]() 1) Pluft, o fantasminha - Maria Clara Machado (1977) ![]() Chá - Paulo Caldas (1987) ![]() Atriz Revelação - Pelo espetáculo Os Fuzis da Senhora Carrar - 1978 Matéria originalmente publicada em: http://www.hotlink.com.br/galeria/galeria-show.php?id=71 Por Mariana Lins by SlowMMotion * Postar um comentário 11:55 AM ______________________________
O RUSSO-FREVO DE EUGENE HÜTZ Eu sei que, de repente, os trocentos milhões de leitores sentiram falta da continuação dos posts sobre a minha epopeia madônnica. Promessa é dívida, né? Mas eu fiquei quase dois meses sem acesso à internet, me mudei, comecei a trabalhar, enfim... Caos. No entanto, como dizem alguns filósofos, o caos é bem vindo, já que, através dele, conseguimos encontrar um ponto, no meio de tanta confusão, que nos ajude a estabilizar nossas vidas. O fato é que eu peço a licença de vocês para postar uma matéria muito legal que tive a oportunidade de fazer, durante o carnaval deste ano, aqui em Recife. Meu entrevistado? O irreverente músico ucraniano Eugene Hütz. Para quem não sabe, Madonna mia fez uma parceria com ele no Live Earth, em 2007, ao cantarem, numa roupagem totalmente nova, a clássica La Isla Bonita. Bem, o resto eu deixo para vocês conferirem... >>> Era fim de tarde e o céu começava a dar sinais de que a noite chegaria com nuvens carregadas para temperar o fervo do sábado de Zé Pereira, no palco do Festival Rec-Beat. Quem deveria comandar o show era o americano Afrika Bambaataa, considerado o pai do gênero Hip Hop, mas que, por problemas de saúde, teve a viagem ao Recife cancelada. ![]() Na última hora, um cigano bigodudo e boa praça, cujas apresentações estavam marcadas para o domingo e para a segunda-feira, foi escalado para colocar um som “punk-rock-russo-cigano” na noite dedicada, inicialmente, ao Hip Hop. O público adorou a troca repentina. ![]() Além do trabalho com a banda, Hütz também se fez conhecido pela habilidade na mesa de som, ao agitar famosas baladas nova-iorquinas. Outro ofício exercido por ele é o de ator. Eugene acumula três filmes no currículo, sendo o último, inclusive, o resultado da primeira experiência da cantora Madonna na direção cinematográfica. “Gravamos o filme em duas ou três semanas, foi muito rápido”, revela. Foi nos bastidores do longa que a rainha do pop ouviu o trabalho de Eugene pela primeira vez. “Eu tocava enquanto nós filmávamos e houve um dia em que ela escutou e disse ‘espera aí, o que é isso? Você pode tocar isso para mim?’ e eu disse ‘claro, por que não? É minha música’”, relembra o cigano. Madonna ficou fascinada pelo som e, além de incluir o Gogol Bordello na trilha sonora do “Filth and Wisdom” (Sujos e Sábios, em português), ela também convidou Eugene para participar do show dela no Live Earth 2007, evento organizado pelo ex-presidente norte-americano Al Gore para alertar o mundo sobre o aquecimento global. ![]() Após terem colaborado com a material girl, Eugene e o GB ganharam uma nova legião de fãs e o reconhecimento internacional. Em dezembro de 2008, quando Madonna aterrissou no Brasil com a turnê Sticky & Sweet, cujo show inclui um bloco cigano, especulou-se que a cantora voltaria a cantar com Hütz em solo tupiniquim. No entanto, por incompatibilidade de agenda, foi inviável e Eugene categórico. “Minha prioridade é e sempre será minha banda Gogol Bordello”. ![]() As raízes da Ucrânia, ex-território da União Soviética, continuam fortes no trabalho e no estilo de vida de Eugene Hütz, mas a tristeza de ver a cultura do seu povo definhar com as guerras e a miséria é inevitável. “É claro que eu lembro de onde vim, de minhas origens, mas, honestamente, eu não sinto falta delas. Os melhores aspectos da minha cultura eu carrego no meu coração”, e acrescenta, “tenho vontade de chorar quando vejo os pernambucanos cantando, numa só voz, as canções antigas de frevo. Vocês devem se orgulhar disso, cara!”, vibra ele. Matéria originalmente publicada em: http://www.hotlink.com.br/galeria/galeria-show.php?id=70 by SlowMMotion * Postar um comentário 10:07 PM ______________________________
NO RIO COM MADONNA (PARTE II) Após ter passado o sábado (13 de dezembro) inteiro andando e turistando com meus amigos madônnicos, resolvi poupar energia para encarar horas de fila, no dia seguinte, no Maracanã. Decidimos chegar por volta das 11h e eu achei ótimo, já que ainda não tinha conseguido ir ao Pão de Açúcar e estava animada pelo sol que começava a dar as caras no domingo de manhã. Fiz meu passeio bááásico de bondinho - uma vista linda - e desci correndo após receber o telefonema de uma amiga avisando que os portões do Maraca, previstos para serem abertos às 15h, estavam prestes a abrir, e ainda eram 10h30. Convoquei, imediatamente, outro amigo recifense, que tava hospedado junto de mim, e combinei de nos encontrarmos na estação de metrô mais próxima. Ele, coitado, ainda estava dormindo e deu um pulo com o meu chamado. Chegamos no Maraca, às 11h da manhã, e fomos direto para o rabo da fila, cuja extensão já me deprimiu de cara. Deixei meu amigo e fui procurar outros conhecidos mais adiante. Na sexta-feira (12), eu havia ido lá para ver o movimento e checar se estava tudo ok com a montagem do palco, já que um show na Argentina foi adiado por causa do atraso da parafernália. Tirei umas fotos de longe e fui dar uma olhada no portão 13, que daria acesso à área VIP, para ter noção do meu trajeto e não ficar feito barata tonta no dia D. Obviamente, já havia gente acampada há uma semana. Fiz amizade com a primeira da fila, uma carioca super simpática, a quem chamarei de Adriana, e célebre figura dos noticiários locais. Ela me perguntou se eu iria de VIP também e disse que, no dia do show, eu desse um alô, lá na barraca dela. Promessa é dívida, não é mesmo, pessoal? Por isso, fui cumprimentar Adriana e ver como estava o clima lá na frente, no dia 14. Conversamos um pouquinho, até que ela me chamou num canto e disse que, por 50 reais, eu poderia integrar o grupo dos primeiros da fila. Meus olhos brilharam, mas fiquei com medo. Olhei para a fila gigantesca atrás de mim e, por alguns segundos, pude ver minha pessoa sendo linxada na porta do Maracanã. Confessei meu temor a Adriana e ela me garantiu que não teria problema, pois já havia todo um esquema arquitetado para isso. Também perguntei se eu poderia levar alguns amigos comigo. Ela ficou meio hesitante, mas prometeu que era um caso a se pensar. Mais lisa que bunda de índio, eu tratei de buscar meu amigo no rabo da fila, contei do 'plano' e ele topou na hora. O único desafio, naquele momento, era encontrar um caixa eletrônico. Catei outro amigo mais adiante e ele também aderiu ao esquema. Deixamos nossos ingressos com ele e andamos léguas e mais léguas atrás de um caixa. Sacamos o dinheiro, coloquei uma parte dentro do tênis e a outra usei para comprar crédito de celular (estava lisa mesmo!), no intuito de ligar para minhas amigas, certas de que elas iam se juntar a nós. Doce ilusão. Levei um belo fora de uma, que me acusou de "fomentar a criminalidade" e de desonestidade. Fiquei com medo de levar outra patada e não liguei para mais ninguém. Minha consciência ficou pesada, mas era uma oportunidade única, meu sonho estava em jogo. Afinal de contas, ao contrário de todos os meus amigos e amigas, eu só veria UM show. Por Mariana Lins by SlowMMotion * Postar um comentário 8:35 PM ______________________________ |